quinta-feira, 26 de novembro de 2009

sobre nuvens e vento

tarde de sol onde estou, no hotel há um enorme pátio no alto com uma piscina pequena e um enorme silêncio onde quase todo o tempo só ouço o vento
fico lá entre um e outro trabalho, fico para encontrar-me comigo e não me desconhecer na confusão dos outros

pensei hoje que olhar o muito quieto céu onde algumas nuvens passam deslizando é igual a viver
simples assim

às vezes como agora um bem-te-vi parou na antena e olhava a água brilhante....ficou assim muito tempo olhava a água e me olhava
por fim, e pude quase ver em seu corpinho a decisão tomada, deu um vôo rasante e escorreu seu bico na superfície molhada e se foi num céu cruelmente azul

fiquei pensando em dúvidas e decisões
fiquei pensando na coragem que é viver

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

uma noite muito escura

quando a cidade apagou sai caminhando pelas ruas escuras para chegar ao carro....não era medo o que eu sentia
sentia uma espécie de alegria malvada uma vingança escancarada contra cidades homens civilização excessos consumo desenfreado luzes desnecessárias
eu pensava nos bichos dos lugares mais ermos e gelados
nos seres vivos que se arrastavam por pedras negras
que nadavam em águas muito frias
na vida à mercê da natureza

mais tarde o silêncio era tão denso que se podia pegá-lo com as mãos um silêncio legítimo
perene
verdadeiro e assustador