terça-feira, 31 de março de 2009

em cada um de nós

sentada no banco reservado aos idosos Adriana chorava sozinha
chorava num silêncio que sequer disfarçava as lágrimas que escorriam simétricas se encaixando na gola branca da blusa de frio
Adriana chorava em silêncio com a mais constrangedora dignidade e o sofrimento que ela não escondia nem mostrava flutuou no ar parado no ar cansado entre os vidros cerrados pela chuva
seguíamos todos juntos e a Heitor Penteado era uma alameda agora de lembranças que cada um de nós sem desejar recuperava
todas elas tristes

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