Pedro mergulha no mar de outono
e esse mar que eu nunca tinha visto existia vestido de um único azul aquele que eu jamais conheceria
e o ar em torno era delicado roçando os corpos como nas despedidas daqueles que julgam se amar
teu corpo deslizou do meu pensando bem fui eu que escorreguei de ti na leveza do oxigênio de maio enquanto ouvia muito longe gritos que eu poderia confundir aos poucos com outros de gaivotas
desço flutuando na palidez do dia no sol baço que esse dia traz
escorre daquilo que estou deixando de ser para o teu corpo e do teu corpo para o meu ou indo embora do meu já não distingo uma carícia tão definitiva tocam as nossas peles tudo o que jamais viveremos os fatos da vida que não teremos bailam em torno do que éramos num desapego sem consciência nenhuma
sigo afundando no espesso líquido do medo me afogando na escuridão que me envolve num líquido salgado que engulo e que me engasga lentamente pouco a pouco cumprindo a sina que me foi escrita por um ingrato destino
ouço teu choro que já é quase o ar me sufocando do ar que quase não respiro mais que dói como algum ponto do meu corpo que não posso precisar
vou me desfazendo na água enorme que persegue meus sonhos num mar que só nesse instante descubro percorrendo meu corpo dentro e fora me absorvendo como às algas ou aos peixes
tudo como numa onda muito rápida que a escuridão envolve numa noite de sonhos impossíveis
de ti meu corpo se perdeu nos perdemos
estoura dentro de mim essa certeza sangrenta
nunca mais vai clarear
Que alegria encontrar este teu sítio Sônia querida! Presente para o ano novo! Voltarei sempre pra te ler, como diz Quintana sobre os autores que lhe agradam muito: vc é uma escritora da minha família.
ResponderExcluirSaúde!
Minha querida, eu mesma me esqueço desse pedaço de mim solto na internet; foi tão gostoso ver seu comentário postado bem no dia do meu aniversário quando eu, bem longe da areia me aventurava mais uma vez mar adentro.beijo,
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