mar de lago dia azul nenhum vento
saio remando para ir até a Praia Brava e tenho medo
medo porque desejo
medo de ter que voltar por medo de não conseguir
o tempo no mar é uma sensação
tenho uma sensação de quase hora inteira e ainda nem cheguei na metade do caminho...passei por três barcos pesqueiros e uma lancha
o espaço é enganoso como o tempo, o costão parece perto e remo e remo sem chegar
o costão bóia numa distância que não diminui embora passem os minutos um a um
aprendi a não olhar para trás olho esse lugar imaginado que fica depois do nada depois da rede de cerco que visitei tantas vezes bem depois muito mais que meia hora depois um lugar do desejo
desejo simples de chegar
e quando se vai assim ocorre perguntar pensar não esquecer que há que haver a volta há que se guardar forças para voltar mas chego
a praia está mansa nesse dia e parece perto vista na lonjura do mar na curva das pedras molhadas
sei há muita água ainda a percorrer
depois, um minuto após fico sabendo que não será hoje o dia de chegar lá pisar na areia tão intocada desembarcar tomar banho de cachoeira com medo das onças
mas haverá uma vez
mais além Ilha Bela em meio à luminosidade clara da manhã enorme e silenciosa
na volta o vento começa a soprar forte
o mar muda rápido e vagas maiores começam.....estou ainda no primeiro saco e serão três até a minha praia
sigo rente às rochas observando a floresta escura onde algum bicho grita
não há nenhum pensamento em mim que sobreviva a essa beleza quieta pasma de si mesma
paro de remar e deixo que o mar me leve
passo por cima do cerco e posso sentir os peixes nadando em círculos abaixo do meu corpo posso sentir com eles o medo da morte
há um certo medo de toda aquela vida da insana fartura do mar verde tão verde esse mar da cor da mata
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