a vida escorre por uma janela quadrada enquanto olhas para fora um novo mundo, um mundo onde não se vê ninguém, nenhuma luz, nenhuma casa, ninguém
escurece mas não é o escuro que conheces, há silencio e o navio desliza como em sonho mergulhando em outra vida que não a que conheces; em tudo um tempo sem tempo, uma ausência plena da qual não sabias a existência, uma não necessidade de horas, relógios, papéis, uma falta de desejos, um apenas estar agora aonde um desejo enorme e inexplicável te levou, a luta, tantos aeroportos, aviões, trajetos, sustos, medo de não conseguir...... mas conseguistes
e o que és então?
e o que mais desejas senão apenas estar ali naquela janela por onde escorre um mundo, um fim de mundo onde parece tudo começou
e és apenas uma mulher sentada à janela em tempo algum, agora, bebendo paisagens e se iluminando da poesia das coisas mais simples: do mar, do vento, das ondas que molham o vidro grosso, uma mulher que se espanta com a imensa e ainda pura beleza do mundo
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