a noite vem devagar rastejando pelas paredes de fora do prédio e o silêncio é uma bola batendo ritmada na praça
mais uma noite
mais
no farol de Beagle a noite já caiu densa e gelada
penso se os bichos estão pelas pedras se gritam de vez em quando para o vento pelo vento afora sem cansaço
os bichos na noite correndo pelas florestas brancas
as raposas
a paz profunda
nenhuma violência e a luz enorme vazando sua claridade entre a neve que pesa nos galhos
anoitece anoitece
a noite agora envolve as paredes do quarto aonde escrevo com suas mãozinhas de seda tão delicadas as mãos da noite ainda menina derramadas de ternura
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