sexta-feira, 16 de outubro de 2009

anoitecendo

a noite vem devagar rastejando pelas paredes de fora do prédio e o silêncio é uma bola batendo ritmada na praça
mais uma noite
mais

no farol de Beagle a noite já caiu densa e gelada
penso se os bichos estão pelas pedras se gritam de vez em quando para o vento pelo vento afora sem cansaço

os bichos na noite correndo pelas florestas brancas
as raposas
a paz profunda

nenhuma violência e a luz enorme vazando sua claridade entre a neve que pesa nos galhos

anoitece anoitece
a noite agora envolve as paredes do quarto aonde escrevo com suas mãozinhas de seda tão delicadas as mãos da noite ainda menina derramadas de ternura

Nenhum comentário:

Postar um comentário