sábado, 3 de outubro de 2009

lua ainda mais cheia

ando pela cidade
pelas sarjetas pontas de cigarro muitas muitas
pelas ruas os carros novos tantos carros novos entupindo as ruas sujas

o menino levanta a camiseta no farol quando pede um trocado
para mostrar que não tem um canivete uma faca uma arma qualquer
e a alma da gente se atropela no constrangimento doido no calor das ruas sem vento ou talvez numa brisa morna que começa a soprar agora vinda de algum lugar

o fim da tarde é triste enquanto o ônibus escorre suas rodas pelas ruas de uma favela qualquer

mas no fim a lua surge e por um momento a cidade se aquieta olhando para si mesma desencontrada e vadia
envergonhada
para seguir depois entre buzinas, gritos e a mais absurda mediocridade
como se viver fosse isso
só isso

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