ando pela cidade
pelas sarjetas pontas de cigarro muitas muitas
pelas ruas os carros novos tantos carros novos entupindo as ruas sujas
o menino levanta a camiseta no farol quando pede um trocado
para mostrar que não tem um canivete uma faca uma arma qualquer
e a alma da gente se atropela no constrangimento doido no calor das ruas sem vento ou talvez numa brisa morna que começa a soprar agora vinda de algum lugar
o fim da tarde é triste enquanto o ônibus escorre suas rodas pelas ruas de uma favela qualquer
mas no fim a lua surge e por um momento a cidade se aquieta olhando para si mesma desencontrada e vadia
envergonhada
para seguir depois entre buzinas, gritos e a mais absurda mediocridade
como se viver fosse isso
só isso
Nenhum comentário:
Postar um comentário