domingo, 16 de outubro de 2011

segredos

tão cheio de segredos escorre o domingo enquanto Gigi dorme no pé da cama
dia escuro de chuva que me leva para longe para onde chove muito mais e as crianças correm na lama com seus pés descalços
a chuva sempre me devolve a mim e a Cerquilho do tempo em que todos estavam vivos e a casa era grande e quente, acolhedora e segura

a chuva e o entardecer me escolhem para contar daquilo de que sempre fujo para sobreviver para ser como as outras pessoas para fazer as coisas de todo o dia, as coisas práticas que sempre é preciso fazer

mas não, Cerquilho continua lá, assim como continuam lá as grandes ondas do Drake e aquele vento que não para nunca
como ainda estão lá os pequenos pinguins andando com seus passinhos de nuvem leves muito leves em meio ao pássaros que não param de voar

e eu aqui sou muitas estou em todos esses lugares até mesmo na grande lua cheia que Frederico forografou um anoitecer há muitos anos, era uma lua imensa avermelhada e ardente

estou em tudo isso e sempre como se fosse várias e vivesse muitas vidas ao mesmo tempo assim como agora enquanto sei que na rede de cerco enquanto o mar bate nas pedras grandes peixes lutam para escapar da morte

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