sábado, 11 de abril de 2009

a menina que amava o mar

era uma noite por demais cheia de estrelas e quando olhamos para o céu as duas juntas sentadas no banco frio da praia o mundo se cobriu de um silêncio fresco e transparente como só se fazem os silêncios junto ao mar

e a noite era linda não havia nuvens no céu nem os pernilongos que te picam a pele clara voavam nessa hora e pela areia os siris caminhavam quietos lentos com preguiça de fugir dos nossos passos

a noite era feita só de ondas e os cachorros da cidade que nos seguiam os passos eram tranqüilos quando paravam para farejar a lua cheia brilhando na atmosfera leve do ar eras tão pequenina eras menina ainda quando me abraçavas ou corrias e teus pés afundavam delicados na areia orvalhada da praia ou procuravam a água morna que o sol da tarde havia esquentado

éramos só nós duas e os sinos chineses tocavam muito longe

havia barcos em alto mar com uma ou outra luz que às vezes desaparecia entre as marolas
e que brilhavam como pequenas estrelas

é primavera meu amor e se ficarmos bem quietinhas vamos ouvir as sementes das flores germinando rompendo o chão da praia à procura da luz e do sol que aparecerá cada dia mais cedo

ouviremos até os bichos nas suas tocas e as tatuíras escondidas sob a areia molhada da praia

então arrumaremos nossos baldes pás bolas e sairemos a passeio
e todos
até os peixes escondidos no fundo mais fundo do mar saberão que somos felizes

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