domingo, 19 de abril de 2009

uma parede deserta

e sumiram as primaveras plantadas nos quatro cantos da varanda
foram-se as avencas pequeninas e as roseiras bem cuidadas
em tudo um mormaço morno e sem tempo
uma desesperança fina como lâmina da faca mais afiada

da cozinha grande sumiu o cheiro de polenta frita
a mesa farta
a conversa dos adultos povoando a escuridão dos quartos cheios de crianças foi-se embora para nunca mais

silenciosa e derradeiramente tudo teve fim

no ar de agora apenas um desejo de mariposas e vento quente
um desejo tão!

então ela encostou o rosto no ladrilho frio
e quis parar estacionar ali
para todo o sempre parada
como uma pedra
um cravo morto
um feixe de olhos olhando sempre em frente
para sempre sem olhar

26.8.96

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