ele tinha olhado as mesmas paisagens
as terras verdes de Jardinópolis se estendiam de horizonte a horizonte e já que ele não estava ali caberia a ela olhar com o mesmo olhar dele as terras de infância por onde correra descalço fugindo de vaca brava
terra da boa
terra vermelha generosa pronta pro plantio
e então do fundo de suas melhores memórias ela viu as mãos dele acariciando a terra num gesto que jamais esqueceria
os vales eram longas distâncias chamuscadas pelo sol
e o olhar dele em setembro sorriu menino travesso afrontando a passagem dos anos lembrando sombras e sítios
o olhar dele sobre Jardinópolis afrontava a própria morte e ela soube então que nos olhos dela agora derretidos sobre esses campos morariam para sempre os olhos dele
Jardinópolis 22/09/97
enquanto os meninos corriam, a velha que os seguia com o olhar pensava "Tenho medo dos abismos do passado" enquanto fechava as janelas do temporal
ResponderExcluirMas as janelas são frágeis frente a um temporal, elas apenas, coitadas, fingem que nos protegem enquanto rangem e tremem de medo, e nós?
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