a menina que amava o mar
era uma
noite por demais cheia de estrelas e quando olhamos para o céu as duas juntas
sentadas no banco frio da praia o mundo se cobriu de um silêncio fresco e
transparente como só sabem ser os silêncios junto ao mar
e a noite era
linda não havia nuvens no céu nem os pernilongos que te picam a pele clara
voavam nessa hora e pela areia os siris caminhavam quietos lentos com preguiça
de fugir dos nossos passos
a noite era
feita só de ondas e os cachorros da cidade que nos seguiam os passos eram doces
tranqüilos paravam para farejar a lua cheia brilhando na atmosfera leve do ar eras
tão pequenina eras menina ainda quando me abraçavas ou corrias e teus pés
afundavam delicados na areia orvalhada da praia ou procuravam a água morna que
o sol da tarde havia esquentado
éramos só
nós duas e os sinos chineses tocavam muito longe
havia
barcos em alto mar com uma ou outra luz que às vezes desaparecia entre as
marolas
e que
brilhavam como pequenas estrelas
é primavera meu amor e se ficarmos bem quietinhas
vamos ouvir as sementes das flores germinando
rompendo o chão da praia à procura da luz e do sol que aparecerá cada dia mais cedo
ouviremos
até os bichos nas suas tocas e as tatuíras escondidas sob a areia molhada da
praia
então arrumaremos
nossos baldes pás bolas e sairemos a passeio
e todos
até os
peixes escondidos no fundo mais fundo do mar saberão que somos felizes
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