Do tamanho do meu amor
te contar como são as mangas pequenas
nos galhos
quando a primavera vai terminando e o
verão já aponta no horizonte dos dias com seu caldo doce e quente rompendo o
frescor da manhã.
te dizer das mangas dourando-se ao sol
de novembro com suas pálidas faces que se avermelham no passar rápido das horas
ouvir de ti o som da neve caindo
ininterrupta em terras distantes
e o gelado silêncio da imensidão quando
a noite se arrasta imersa em torpor
apreender em ti o aconchego do gelo e
da solidão ardendo antigos segredos
te mostrar o mar de Boiçucanga quando
vem a tarde mansa
e as estrelas despontam com seus
bracinhos de abismo
te envolver amor num princípio de lua
te contar palmo a palmo a brisa morna
do meu corpo imerso inteiro em azul
descobrir em ti um corpo que não
conhece o dia
só então o mundo que nos separa se
perderia em laranjais e furacões
em dunas e areia movediça
como tudo se quebra agora no impossível
som que nos envolve
como se parte em arcos contíguos o
choro que embala o oceano
nesse momento em que te olho e me
desejas
nessa distância tão pequena que de fato
nos separa.
E nesse espaço claramente impossível.
30.9.98
(" nos estilhaços das ruas "
)
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