sexta-feira, 11 de outubro de 2013

do tamanho do meu amor

Do tamanho do meu amor

te contar como são as mangas pequenas nos galhos
quando a primavera vai terminando e o verão já aponta no horizonte dos dias com seu caldo doce e quente rompendo o frescor da manhã.

te dizer das mangas dourando-se ao sol de novembro com suas pálidas faces que se avermelham no passar rápido das horas

ouvir de ti o som da neve caindo ininterrupta em terras distantes
e o gelado silêncio da imensidão quando a noite se arrasta imersa em torpor
apreender em ti o aconchego do gelo e da solidão ardendo antigos segredos

te mostrar o mar de Boiçucanga quando vem a tarde mansa
e as estrelas despontam com seus bracinhos de abismo

te envolver amor num princípio de lua
te contar palmo a palmo a brisa morna do meu corpo imerso inteiro em azul
descobrir em ti um corpo que não conhece o dia

só então o mundo que nos separa se perderia em laranjais e furacões
em dunas e areia movediça

como tudo se quebra agora no impossível som que nos envolve
como se parte em arcos contíguos o choro que embala o oceano
nesse momento em que te olho e me desejas
nessa distância tão pequena que de fato nos separa.
E nesse espaço claramente impossível.

30.9.98

(" nos estilhaços das ruas " )

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