do outro lado
tem uma janela sempre acesa na noite
uma janela que a minha janela encontra sempre
à mesma hora
irmãs na inquietação das abruptas
trevas
se olham na lonjura dos dois prédios
essas duas janelas
quadrados iluminados que espiam
cegos
a escuridão
enquanto a cidade dorme
mas eu que escrevo noite adentro
olho o retângulo esticado para fora dos
batentes
com seus dedinhos claros tateando a
escuridão
e penso naquele que acende a luz e o
cigarro
e como eu
ou não como eu
atiça a mente às voltas com fantasmas
ou simplesmente olha o céu
notando ao longe a minha janela acesa
no que pensa?
será no que penso?
pensa que eu possa estar onde estou?
pensa quem sou?
ou simplesmente olha a lua?
abril de 2001
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