sexta-feira, 11 de outubro de 2013

do outro lado

do outro lado

tem uma janela sempre acesa na noite
uma janela que a minha janela encontra sempre à mesma hora
irmãs na inquietação das abruptas trevas
se olham na lonjura dos dois prédios
essas duas janelas
quadrados iluminados que espiam
cegos
a escuridão
enquanto a cidade dorme

mas eu que escrevo noite adentro
olho o retângulo esticado para fora dos batentes
com seus dedinhos claros tateando a escuridão
e penso naquele que acende a luz e o cigarro
e como eu
ou não como eu
atiça a mente às voltas com fantasmas
ou simplesmente olha o céu
notando ao longe a minha janela acesa

no que pensa?
será no que penso?
pensa que eu possa estar onde estou?
pensa quem sou?
ou simplesmente olha a lua?


abril de 2001

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