eram três da tarde quando o cego passou no andar torto das calçadas
eram três da tarde e as pessoas recuavam ao vê-lo em seu passo tímido
seu coração de mulher quedou frouxo tremulo apertado
o cego percebia na escuridão o medo ausente das pessoas
então ela teve vergonha e tocou de leve seu braço e sua voz tremia como a de uma menina
a tarde tombou apressada rumo aos becos úmidos da noite e os dois seguiram reinventando passos pela avenida afora num ritmo endurecido e quente
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