sábado, 29 de outubro de 2011

neva em Ushuaia

neva em Ushuaia e a noite cai bem devagar
as montanhas sumiram na brancura das coisas e as casinhas próximas vão acendendo suas luzes
uma camisa congelada balança esquecida num varal

tudo some e o mundo para encantado de si mesmo

passa às vezes um carro com os faróis acesos deslizando na rua molhada
escurece embranquecendo enquanto o céu mais se mais se torna cinza claro

tudo se desfaz no mesmo encantamento
e agora mais que antes todas as coisas são em si mesmas plenas: os lobos marinhos nas pedras negras e a janela que se embaça
os cães que puxam o trenó e a neve espessa que bate leve no meu rosto e derrete muito devagar

mais e mais casas agora num silencio
num silencio que trespassa a alma líquido e constante

como o amor mais sagrado

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