neva em Ushuaia e a noite cai bem devagar
as montanhas sumiram na brancura das coisas e as casinhas próximas vão acendendo suas luzes
uma camisa congelada balança esquecida num varal
tudo some e o mundo para encantado de si mesmo
passa às vezes um carro com os faróis acesos deslizando na rua molhada
escurece embranquecendo enquanto o céu mais se mais se torna cinza claro
tudo se desfaz no mesmo encantamento
e agora mais que antes todas as coisas são em si mesmas plenas: os lobos marinhos nas pedras negras e a janela que se embaça
os cães que puxam o trenó e a neve espessa que bate leve no meu rosto e derrete muito devagar
mais e mais casas agora num silencio
num silencio que trespassa a alma líquido e constante
como o amor mais sagrado
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