o sol em meio ao trigo
aprisionei o sol de janeiro em retratos que eu trouxe e que exibo a todo instante do alto da minha estante florida
o sol será sempre meu aqui olhando ardente sobre o mar
e embora o passado haja seguido seus passos fortuitos sobre os dias que se seguiram eu sigo o sol pela manhã no caminho molhado dos barcos ao meio dia em tuas coxas escuras
e quando vem a tarde num rastro de sombras as mais delicadas que seguem as formas leves do jasmim
nesse verão aprendi a prender o tempo entre as linhas que traço entre as linhas que puxo do vértice de algumas das coisas do mundo
e não temo mais que tudo que vivi se acabe em vertigem numa seqüência nua de imagens
pois nuas são as coisas todas do mundo em sua mais cruel simplicidade
num tempo de ser sem sentidos
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